A experiência de escrever é análoga a de criar imagens. Talvez na escrita a ordem seja mais relevante a medida que percebemos o quanto a clareza e encadeamento de ideias são indispensáveis para a compreensão desse texto por outras pessoas.
A imagem também conta uma história, mas a ordem tem uma certa autonomia. Ás vezes até aparece mais encadeada, calma e sutil. Mas em outras, o turbilhão faz que venham explosões: o traço, o gesto, uma sombra aqui, uma mancha ali. "Mas é claro!" E novamente ideias irrompem em enxurrada, sendo direcionadas como uma água que flui.
Por vezes o esboço que dá estrutura fica até o final. Títulos, desenvolvimentos, conclusões, argumentos e contrariações são revirados, misturados de tal forma que já não sabemos quem é de quem. Eis a obra pronta.